Escolha uma Página

A maternidade pode ser o maior pontapé para que a mulher queira buscar novos rumos pra carreira

Por Beatriz Zogaib

Já falei isso em muitos textos meus, e vocês devem estar mais do que familiarizadas com uma das grandes razões que levam uma mulher a empreender, mas vamos lá recapitular – e por um bom motivo! É comprovado até por pesquisas e por N motivos. E um deles o tal do sentimento de culpa. Estamos falando aqui da sensação horrível de deixar o filho pra voltar ao mercado antes mesmo que ele tenha seis meses! Ou, com muito esforço, cálculos e ajuda do calendário, uns sete meses: seis de licença (se houver acordo com a empresa) + férias (se coincidir!). Estamos falando da dor que nos toma ao ter que deixar aquele bebê com alguém – tão indefeso, tão nosso! Da culpa que vem coladinha com o desespero, a insegurança, a frustração. E do fato de que esse pode ser um momento de transformação. Aquele em que você decide mudar, de profissão, de vida, de objetivo.

Aí você decide abrir um negócio no quintal de casa, ter mais flexibilidade de horários, colocar um antigo sonho em prática, fazer de um hobby o seu novo ganha pão! Só que, sim, é preciso apoio do marido, ou coragem de bancar a própria escolha sozinha. Nem sempre temos a ajuda que precisamos, ou a conta bancária que nos deixaria tranquilas pra sair por aí empreendendo. E, muitas vezes, a gente começa no sufoco, num ato de desespero, de sobrevivência, e de amor incondicional. Amor pelo filhote, e pela oportunidade que enxergamos com a ajuda de hormônios da amamentação, do cansaço, das regras pré-estabelecidas de jornada de trabalho, da falta de compreensão no atual emprego.

Screen-Shot-2015-02-24-at-10.23.02

Uhu. Somos, a partir de agora, empreendedoras! Não que isso signifique ter tempo de sobra pra ficar com o filho! Ou dispensar ajuda. Não mesmo. Você sabe, trabalho é trabalho. E começo é começo. Mais do que nunca, precisamos nos dedicar, focar, nos doar. Mas então, por que a gente entra nessa? Será que achamos que é tudo lindo e damos com a cara na porta? Seria essa a opção “menos ruim”? Vamos nos arrepender? Bem, posso dar meu parecer.

Acho que, quando nos tornamos mães e empreendedoras, estamos fazendo a melhor das opções. E a mais difícil também! É muito complicado – e precisamos admitir – cuidar de filho e ainda de um novo negócio. Muitas vezes, nos pegamos trabalhando pela madrugada afora, ou tendo pouco tempo para o filho, quase como se estivéssemos batendo cartão! Porque, afinal de contas, queremos que aquilo dê certo, precisamos também. Mas isso não é ruim! É um re-nascimento, e a gente precisa se adaptar. Também é bacana lembrar de como essa escolha é feita com paixão e entrega – e que melhor momento na vida pra fazer isso não há.

E ainda que mãe é mãe: se vira! 

Rá. Esse é o ponto. Hoje, faço um convite para aquelas que já estão no meio do furacão, enlouquecidas fazendo tudo ao mesmo tempo. E para as que estão precisando de coragem mas que também precisam saber o que as espera. Não quero desencorajar ninguém, nem mostrar “o lado negro da força”. Quero apenas te convidar a entender que, quando mães, a gente sempre vai equilibrar muitos pratos. E sentir culpa. E ter que repensar, fazer escolhas, enfrentar a rotina, a febre do filho. Independentemente se estamos de carteira assinada, ou à frente de encomendas de doces. Te convido ainda a não se iludir, mas sim, a pensar em como fazer isso funcionar da melhor forma! Se organizando? Delegando? Priorizando?

Talvez ajude estar consciente de que, infelizmente, as relações de trabalho atuais ainda estão muito aquém daquilo que realmente precisamos e almejamos. E que, empreender, oras, é uma nova maneira de sentir isso na pele!

Pra ajudar a refletir, quero fazer um último convite: que vocês assistam a um teaser de um documentário lindo, que pretende abordar a licença-maternidade e todas as outras questões que envolvem a dobradinha carreira e maternidade – com a ajuda de grandes especialistas e mães! A meu ver, ele pode ser nosso ponto de partida para lutarmos pelos nossos direitos, por uma jornada mais coerente com a nossa realidade, por novas formas de sermos tratadas e respeitadas profissionalmente ou no âmbito pessoal, pela melhor maneira de darmos conta da maternidade e da profissão nos dias atuais. Para nós mesmas pensarmos, ou para fazermos o país pensar! 

Vale dizer que quem está à frente do documentário é uma mãe que acaba de ter um bebê, “entre mamadas, golfadas e fraldas da baby recém-nascida”, como ela mesma descreveu pra mim. O projeto, tão importante para nós mulheres, busca financiamento coletivo para levar o assunto aos cinemas!

Para assistir algumas entrevistas e trechos do documentário acesse: http://umoms.com.br/documentario/

Vamos juntas!

Untitled design (2)

Beatriz Zogaib

Jornalista no comando do blog Mãe da Cabeça aos Pés, acredita que mulher é multifuncional por natureza e que – embora seja um desafio – conciliar é possível.

Conecte-se: @maedacabecaaospes